Contratos e Propriedade Intelectual: O Que Não Pode Faltar ao Contratar Profissionais de Criação

Thais França Giordano - Sócia fundadora - Freitas, França Advogados

Thais França

Publicado em: 30 de outubro de 2025

Contratos bem estruturados são essenciais na contratação de profissionais criativos, garantindo proteção da propriedade intelectual, segurança jurídica e valorização das criações.

Transformações nas relações de trabalho criativo

A relação entre empresas e profissionais autônomos ou empregados tem passado por transformações importantes no Brasil.

Enquanto empresas buscam alternativas à tradicional relação de emprego, tais como contratações por projeto, parcerias com freelancers e o uso crescente de inteligência artificial, novas preocupações surgem:

  • Proteção da propriedade intelectual
  • Titularidade das criações desenvolvidas durante o vínculo profissional
  • Cláusulas de sigilo e não concorrência
  • Uso legítimo de portfólios
  • Insegurança jurídica nas relações atípicas de trabalho

👉 Em um cenário pautado por criatividade e inovação, os contratos precisam acompanhar essa complexidade.

Formalidade básica não é suficiente

Em qualquer caso, seja relação de emprego ou não, a prestação de serviços costuma ser formalizada pelo básico exigido pela legislação:

  • Assinatura da Carteira de Trabalho ou de contrato de prestação de serviços
  • Recolhimento de encargos fiscais e previdenciários
  • Registros nos órgãos oficiais

👉 Essas medidas, embora indispensáveis, não são suficientes quando se trata de contratação de profissionais criativos.

O valor estratégico das criações intelectuais

Em setores como tecnologia, publicidade, marketing digital, design e desenvolvimento de softwares, o resultado do trabalho vai muito além do esforço do dia a dia.

Ele se materializa em obras intelectuais e inovações, capazes de gerar vantagem competitiva real para a empresa.

Por isso, é essencial uma abordagem contratual estratégica e técnica, que assegure a proteção desses ativos intangíveis.

A importância de cláusulas específicas no contrato

Não basta a formalidade jurídica ou contábil. É indispensável um contrato escrito, com cláusulas claras sobre o que deve constar no contrato de profissionais de criação, com por exemplo alguns tópicos citados abaixo:

  1. Cessão de direitos autorais ou patrimoniais sobre obras produzidas durante o contrato.
  2. Cláusulas de sigilo e confidencialidade, protegendo informações estratégicas da empresa.
  3. Conformidade com a LGPD, quando houver tratamento de dados pessoais.
  4. Cláusulas de não concorrência, dentro dos limites legais.
  5. Regras sobre uso de ferramentas, equipamentos e propriedade intelectual da empresa em regime remoto ou híbrido.

Sem essas previsões, tanto prestadores quanto empresas ficam expostos a litígios e incertezas.

Riscos de não proteger a propriedade intelectual

  • O profissional pode ser impedido de usar portfólios ou ideias que acreditava serem seus.
  • A empresa pode perder controle sobre criações estratégicas, como logotipos, campanhas, softwares, roteiros e marcas.
  • Mesmo em relação trabalhista, o simples pagamento de salário não garante a cessão automática dos direitos autorais.

Leis aplicáveis que exigem cláusula expressa

  • Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)
  • Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96)
  • Lei de Software (Lei nº 9.609/98)

Sem cláusula específica, existe alto risco de judicialização e perda de ativos intangíveis.

Contrato como instrumento estratégico

Empresas que contratam designers, desenvolvedores, redatores, editores ou outros profissionais criativos devem enxergar o contrato como instrumento estratégico, e não mera burocracia. Investir em contratos bem redigidos significa:

  • Prevenir conflitos
  • Proteger ativos intangíveis
  • Valorizar tanto a empresa quanto o profissional contratado

Conclusão: contrato é tão importante quanto a criação

Formalizar a relação de trabalho é apenas o primeiro passo.

Quando se trata de criatividade, inovação e produção intelectual, o contrato escrito é tão relevante quanto a própria criação.

Ele é quem:

  • Define titularidade
  • Assegura direitos
  • Previne litígios

👉 Em um mercado cada vez mais competitivo, empresas que tratam o contrato como ferramenta estratégica protegem seu patrimônio intangível e valorizam os profissionais criativos que impulsionam seu crescimento.

Não perca nenhum assunto. Siga nossos perfis nas redes sociais.

Siga no Instagram
Acompanhe na LinkedIn
Entre em contato agora

🔔Gostou? Compartilhe com alguém que também precisa conhecer este assunto.

Thais França Giordano - Sócia fundadora - Freitas, França Advogados
Thais França Giordano, advogada há mais de quinze anos, com vasta experiência na atuação no ramo do direito imobiliário e do direito trabalhista em grandes escritórios de Belo Horizonte focado no lado empresarial, tanto contencioso como consultivo.
Ir ao Topo